domingo, 22 de maio de 2011

Falando um pouco de religião...

Beatificação de irmã Dulce
Quem foi Irmã Dulce?


Vida de Irmã Dulce



De Maria Rita a Irmã Dulce 

Irmã Dulce morreu em 13 de março de 1992, pouco tempo antes de completar 78 anos. A fragilidade com que viveu os últimos 30 anos da sua vida, com a saúde abalada seriamente - tinha 70% da capacidade respiratória comprometida - não impediu que ela construísse e mantivesse uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país, batendo de porta em porta pelas ruas de Salvador, nos mercados, feiras livres ou nos gabinetes de governadores, prefeitos, secretários, presidentes da República, sempre com a determinação de quem fez da própria vida um instrumento vivo da fé.
Segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes, professor da Faculdade de Odontologia, e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, ao nascer em 26 de maio de 1914 em Salvador, Irmã Dulce recebeu o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. O bebê veio ao mundo na rua São José de Baixo, 36, no bairro do Barbalho, na freguesia de Santo Antônio Além do Carmo. A menina Maria Rita foi uma criança cheia de alegria, adorava brincar de boneca, empinar arraia e tinha especial predileção pelo futebol - era torcedora do Esporte Clube Ypiranga, time formado pela classe trabalhadora e excluídos sociais que foi o primeiro a romper com o perfil elitista do esporte baiano no início do século XX.
Aos sete anos, em 1921, perde sua mãe Dulce, que tinha apenas 26 anos. No ano seguinte, junto com seus irmãos Augusto e Dulce (a querida Dulcinha), faz a primeira comunhão, na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo.
A sua vocação para trabalhar em benefício da população carente teve a influência direta da família, uma herança do pai que ela levou adiante, com o apoio decisivo da irmã, Dulcinha.
Aos 13 anos, o destemor e o senso de justiça, traços marcantes revelados quando ainda era muito novinha, faziam com que ela acolhesse mendigos e doentes, transformando a casa da família, na Rua da Independência, 61, no bairro de Nazaré, num centro de atendimento. É nessa época, em que sua casa ficou conhecida como ‘A Portaria de São Francisco’, tal o número de carentes que se aglomeravam à porta, que ela manifesta pela primeira vez o desejo de se dedicar à vida religiosa, após visitar com uma tia áreas onde habitavam pessoas pobres.

Em 8 de fevereiro de 1933, logo após a sua formatura como professora,Maria Rita entrava para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe. Pouco mais de um ano depois, em 15 de agosto de 1934, era ordenada freira, aos 20 anos de idade, recebendo o nome de Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe.
A primeira missão de Irmã Dulce como freira foi ensinar em um colégio mantido pela sua congregação no bairro da Massaranduba, na Cidade Baixa, em Salvador. Mas, o seu pensamento estava voltado para o trabalho com os pobres. Já em 1935, dava assistência à comunidade pobre de Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe. Nessa mesma época, começa a atender também os operários que eram numerosos naquele bairro, criando um posto médico e fundando, em 1936, a União Operária São Francisco – primeira organização operária católica do estado, que depois deu origem ao Círculo Operário da Bahia. Em 1937, funda, juntamente com Frei Hildebrando Kruthaup, o Círculo Operário da Bahia, mantido com a arrecadação de três cinemas que ambos haviam construído através de doações - o Cine Roma, o Cine Plataforma e o Cine São Caetano. Em maio de 1939, Irmã Dulce inaugurava o Colégio Santo Antônio, escola pública voltada para operários e filhos de operários, no bairro da Massaranduba.
Nesse mesmo ano, Irmã Dulce invadiu cinco casas na Ilha dos Ratos, para abrigar doentes que recolhia nas ruas. Expulsa do lugar, ela peregrinou durante uma década, levando os seus doentes por vários lugares. Por fim, em 1949, Irmã Dulce ocupa um galinheiro ao lado do convento, após autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. A iniciativa deu origem à tradição propagada há décadas pelo povo baiano de que a freira construiu o maior hospital da Bahia a partir de um simples galinheiro. Já em 1959, é instalada oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce e no ano seguinte é inaugurado o Albergue Santo Antônio.
O incentivo para construir a sua obra, Irmã Dulce teve do povo baiano, de brasileiros dos diversos estados e de personalidades internacionais. Em 1988, ela foi indicada pelo então presidente da República, José Sarney, com o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia, para o Prêmio Nobel da Paz. Oito anos antes, no dia 7 de julho de 1980, Irmã Dulce ouviu do Papa João Paulo II, na sua primeira visita ao país, o incentivo para prosseguir com a sua obra.
Os dois voltariam a se encontrar em 20 de outubro de 1991, na segunda visita do Sumo Pontífice ao Brasil. João Paulo II fez questão de quebrar o rigor da sua agenda e foi ao Convento Santo Antônio visitar Irmã Dulce, já bastante debilitada, no seu leito de enferma. Cinco meses depois da visita do Papa, os baianos chorariam a morte do Anjo Bom. No velório, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, políticos, empresários, artistas, se misturavam a dor das milhares de pessoas simples, anônimas. Muitas delas, identificadas com o que poderíamos chamar do último nível da escala social, justamente para quem Irmã Dulce dedicou a sua obra.



O milagre da Beatificação de Irmã Dulce



13-mar-2007-p
- Você precisa de um milagre para sobreviver e poder cuidar de seus filhos. Você acredita que Irmã Dulce possa interceder diante de Deus?
- Acredito sim.
- Eu também. Vamos rezar.
O diálogo, datado de janeiro de 2001, é entre dois dos principais personagens que compõem o cenário da beatificação de Irmã Dulce: o padre José Almí de Menezes (à época, capelão do Hospital de Emergência João Alves, em Aracaju) e Cláudia Cristiane Santos de Araújo, funcionária pública municipal na pequena cidade de Malhador, interior de Sergipe.
Cláudia sobrevive a uma hemorragia incontrolável no pós-parto. Inexplicável do ponto de vista médico, o caso torna-se a peça fundamental do processo instalado no Vaticano em janeiro de 2000.  Analisado por peritos médicos, religiosos e especialistas em processo canônico, o episódio tem validação jurídica emitida pela Santa Sé em junho de 2003 e é reconhecido como milagre pelo Papa Bento XVI em dezembro de 2010.
A hemorragia começa ainda no trabalho de parto, na Maternidade São José, em Itabaiana (SE), onde Cláudia se internara na noite de 10 de janeiro de 2001 para dar luz ao seu segundo filho, Gabriel. A criança nasce na madrugada do dia 11, sem problemas, mas a mãe corre sério risco de morte. Durante 28 horas, a equipe comandada pelo obstetra Antônio Cardoso Moura esgota todos os recursos disponíveis na maternidade. Mesmo após três cirurgias, o sangramento não cessa. Os médicos fecham o abdômen e conversam com a família: não há mais o que fazer. Contudo, sem nenhuma outra intervenção médica, a hemorragia subitamente pára e a paciente se recupera. Na madrugada do dia 12, Cláudia pede para ver o filho.
Relatos da época, anexados ao processo analisado pelo Vaticano, dão conta de que o sangramento cessa no mesmo instante em que um grupo de orações, comandado pelo padre José Almí de Menezes pede a intercessão de Irmã Dulce em favor de Cláudia. O sacerdote chega a enviar para a família da parturiente um pedaço de tecido do hábito (relíquia) que pertenceu à religiosa.
Após investigação pericial interna nas Obras Sociais Irmã Dulce – comandada pelo médico Sandro Barral – e a instauração do Tribunal Eclesiástico na Arquidiocese de Aracaju em janeiro de 2003, para a análise e tomada dos testemunhos, o milagre passou ainda por três etapas de avaliação na Itália antes de ser validado pelo Vaticano: uma reunião com peritos médicos (que deram o aval científico), outra com teólogos e, finalmente, a aprovação final do colégio cardinalício, tendo sua autenticidade reconhecida de forma unânime em todos os estágios.
Critérios – Uma graça só é considerada milagre após atender a quatro pontos básicos: a instantaneidade, que assegura que a graça foi alcançada logo após o apelo; a perfeição, que garante o atendimento completo do pedido; a durabilidade e permanência do benefício e seu caráter preternatural (não explicado pela ciência).
“O milagre apresentado no processo foi examinado meticulosamente por especialistas do Brasil e de Roma. Um reconhecimento que vem mais uma vez confirmar a vida de virtudes de Irmã Dulce – trajetória essa baseada na total dedicação aos pobres e doentes”, afirmou o cardeal D. Geraldo Majela.
A beatificação é uma etapa no processo de canonização. Para a canonização é necessária a aprovação de um milagre adicional atribuído à intercessão do Beato. No momento da canonização, o Santo Padre, em virtude da sua infalibilidade, declara que o Beato está entre os santos do céu e inscreve o nome da pessoa na lista oficial (cânon) dos Santos da Igreja. É nesse momento que a devoção pública ao Santo recém declarado estende-se à Igreja em todo o mundo.

Rito da Beatificação de Irmã Dulce

1. Solicitação para proceder a beatificação
Dom Murilo acompanhado pelo Dr. Paolo Vilotta, Postulador da Causa de Beatificação, diante do altar, faz a leitura do pedido:

O Arcebispo Metropolitano de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil pede a Vossa Eminência Reverendíssima de proclamar Bem Aventurada a Venerável Serva de Deus Dulce Lopes Pontes, professa da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

 
2. Nota Biográfica
Dom Tommaso Cascianelli, acompanhado pelo Postulador, diante do altar faz a leitura da nota biográfica

3. Fórmula da Beatificação

Dom Geraldo, sentado, faz a leitura da Carta Apostólica, primeiro em latim e depois em português :

Litterae Apostolicae

Nos,
vota Fratris Nostri
Geraldi Majella S.R.E. Cardinalis Agnelo,
Archiepiscopi olim Metropolitae Sancti Salvatoris in Brasilia,
necnon plurimorum aliorum Fratrum in Episcopatu
multorumque christifidelium explentes,
de Congregationis de Causis Sanctorum consulto,
auctoritate Nostra Apostolica
facultatem facimus ut
Venerabilis Serva Dei
Dulcis Lopes Pontes,
in saeculo Maria Rita, virgo,
professa Congregationis Sororum Missionariarum
ab Immaculata Conceptione Matris Dei,
quae, prorsus divinae confidens Providentiae,
se praebuit exclusis et aegrotantibus pauperrimis iuvandis,
in quibus agnovit dilectum vultum Iesu Crucifixi,
Beatae nomine in posterum appelletur,
eiusque festum
die decima tertia Augusti,
in locis et modis iure statutis
quotannis celebrari possit.
In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti.
Amen
Datum Romae, apud Sanctum Petrum,
die decimo tertio mensis Maii,
anno Domini bismillesimo undecimo,
Pontificatus Nostri septimo.
Benedictus PP XVI

Carta Apostólica

Nós,
Pelo voto de Nosso Irmão
Geraldo Majella da Santa Romana Igreja Cardeal Agnelo,
Arcebispo Metropolitano Emérito de São Salvador da Bahia,
E também os votos de vários outros Irmãos no Episcopado,
Bem como de muitos cristãos fiéis,
Tendo consultado a Congregação das Causas dos Santos,
Por Nossa autoridade Apostólica,
damos a faculdade para que
a Venerável Serva de Deus
Dulce Lopes Pontes,
No século Maria Rita, Virgem,
Professa da Congregação das Irmãs Missionárias
da Imaculada Conceição da Mãe de Deus,
a qual, profundamente confiante na divina Providência,
dedicou-se a ajudar os excluídos e doentes paupérrimos,
nos quais reconheceu o rosto amoroso de Jesus Crucificado,
seja chamada de hoje em diante com o nome de Bem Aventurada,
com sua festa fixada no dia 13 de Agosto,
nos lugares e modos estabelecidos pelo direito,
podendo ser celebrada cada ano.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo
Amém.
Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 13 do mês de Maio,
do ano do Senhor 2011, sétimo de Nosso Pontificado.

                                                                             Bento XVI



4. Veneração da Relíquia

A seguir, se descerra a foto da nova Bem Aventurada, se faz a procissão da Relíquia e Dom Geraldo , acompanhado pelos dois diáconos, a venera incensando-a.


5. Agradecimento

Dom Murilo, acompanhado pelo Postulador, diante do altar faz a leitura do agradecimento :


Eminentíssimo Senhor Dom Geraldo Majella Cardeal Agnelo, Delegado do Santo Padre Bento XVI, o Arcebispo Metropolitano de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, agradece a Vossa Eminência por haver hoje proclamada Bem Aventurada a Venerável Serva de Deus Dulce Lopes Pontes
 6FINAL
Após a leitura do Agradecimento, Dom Murilo, acompanhado pelo Postulador, abraça e agradece a Dom Geraldo.

A Celebração continua, com o Canto do Glória.

Oração à Irmã Dulce

 
Senhor nosso Deus
Recordando a vossa Serva Dulce Lopes Pontes,
Ardente de amor por vós e pelos irmãos,
Nós vos agradecemos pelo seu serviço a favor
Dos pobres e excluídos.
Renovai-nos na fé e na caridade,
E concedei-nos a seu exemplo vivermos em comunhão
Com simplicidade e humildade,
Guiados pela doçura do Espírito de Cristo
Bendito nos séculos dos séculos. Amém

 

Canonização

 

Histórico da causa

A causa de canonização de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro de 2000. A validação jurídica do virtual milagre foi emitida pela Santa Sé em junho de 2003. Em abril de 2009, o Papa Bento XVI reconheceu as virtudes heróicas da Serva de Deus Dulce Lopes Pontes, autorizando oficialmente a concessão do título de Venerável à freira baiana. O título é o reconhecimento de que Irmã Dulce viveu, em grau heróico, as virtudes cristãs da fé, esperança e caridade.
O voto favorável e unânime da Congregação para a Causa dos Santos para o título de Venerável foi concedido em 2008 e anunciado em janeiro de 2009 pelo colégio de cardeais, bispos e teólogos após a análise da Positio – documento canônico misto de relato biográfico e das virtudes e resumo dos testemunhos do processo. Os teólogos que estudaram a vida e as obras da freira a definiram como a “Madre Teresa do Brasil”, pelas semelhanças do seu testemunho cristão com a Beata de Calcutá, sendo “um conforto para os pobres e um exame de consciência para os ricos”.
Logo após sua morte, em 1992, Irmã Dulce foi sepultada na Igreja da Conceição da Praia. Em 2000, com o início do processo, seus restos mortais foram transferidos para a Capela do Convento Santo Antônio (na sede das Obras Sociais Irmã Dulce). No dia 9 de junho de 2010 foi realizada a exumação e transferência das relíquias (termo utilizado para designar o corpo ou parte do corpo dos beatos ou santos) da Venerável Dulce para sua capela definitiva, localizada na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. A Capela das Relíquias foi construída na própria Igreja da Imaculada Conceição, erguida no local do antigo Cine Roma e do Círculo Operário da Bahia, construídos pela freira na década de 40.
Milagre reconhecido – Em outubro de 2010, a Congregação para a Causa dos Santos, através de voto favorável e unânime de seu colégio de cardeais e bispos, a autenticidade de um milagre atribuído à Irmã Dulce, cumprindo, dessa forma, a última etapa do processo de beatificação da religiosa. O anúncio foi feito no dia 27 de outubro pelo então Arcebispo Primaz do Brasil, cardeal D. Geraldo Majella Agnelo, em coletiva realizada na sede das Obras Sociais Irmã Dulce em Salvador.
No dia 10 de dezembro de 2010, O Papa Bento XVI autorizou a promulgação do decreto do milagre que transforma a Venerável Dulce em Beata, ou Bem-aventurada. A autorização foi dada pelo pontífice ao prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, em audiência privada no Vaticano.
Com o reconhecimento final do Papa, Irmã Dulce passará a se chamar a “Bem-aventurada Dulce dos Pobres”. Um dia após o decreto papal, o processo de canonização da bem-aventurada foi iniciado, isto significa que qualquer graça ocorrida a partir do dia 11 de dezembro pode vir a ser analisada pelo Vaticano como o potencial milagre de sua santificação ou canonização. 

Doações

 

Colabore com a cerimônia de beatificação de Irmã Dulce

Banco Bradesco S/A - 237
Agência 2864-9 - Bradesco Empresas
Conta corrente: 11403-0

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